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Yogasanas
O sistema
filosófico do Yoga é conhecido como darshanas (espelhos ou percepção
direta da Realidade espiritual). Estas percepções estão baseadas na
firme fundação da experiência. Infelizmente, a grande e gloriosa
tradição de criar fundamentos através da experiência vem sendo
esquecida. O academicismo e a habilidade na lógica e no esforço
intelectual tomaram seu lugar. Até mesmo o Yoga, que é uma
disciplina prática por excelência, torna-se objeto para a filosofia. Algumas destas filosofias abordam o aspecto físico do yoga como algo que não seja importante para aqueles que buscam o “Supremo” criando dúvidas em muitos praticantes ainda que Patanjali, no seu tratado, confira grande destaque para a prática dos asanas. Conforme Patanjali, a maestria em asanas deve ser alcançada antes da prática dos Pranayamas (respiratórios). No Shadana Pada, três sutras são devotados para os asanas e no Vibhuti Pada, são encontradas referências à saúde do corpo (kaya sampat) e realizações físicas ( siddhi).
Dhyana asanas ou posturas meditativas perfeitas são impossíveis sem que se atinja a perfeição em muitos outros asanas bem como a tonificação do corpo. O valor dos asanas em Yoga é explicado através de Tapas ( disciplina) por Patanjali no Sutra II.43 onde é declarado que é necessário queimar as impurezas do corpo, sentidos e mente para que a alma reacenda a fagulha da divindade contida no interior. Assim, vejo os asanas como uma forma de Tapas que demanda rigorosa disciplina.
Nos dias de hoje,
esta rigorosa disciplina transforma-se em “suaves momentos de yoga”.
Esta prática suave e casual utilizada para relaxamento, perdeu o
critério científico e experimental. Em contra partida, percebe-se a
abundância de livros disponíveis sobre o assunto, livros estes
esteriotipados e sem a profundidade que a prática exige. Embora os asanas tenham sido aceitos como um método “alternativo” de medicina em função dos benefícios já conscientizados pelas pessoas, não podemos esquecer que cada asana é pleno de profundo conhecimento científico do corpo e da mente, é arte e filosofia atuando juntos a partir do exterior penetrando os vários níveis interiores do corpo para alcançar o governante, o Atman (espírito). Asanas, como uma ciência, tratam com a saúde e perfeição do corpo e ajudam a descobrir as diferenças entre o corpo e a mente com o objetivo de manter o “eu” em estado de puro cristal. Plantas e arvores saudáveis produzem bons frutos e flores e a jardinagem foi desenvolvida para cuidar que elas cresçam assim. Similarmente, asanas purificam os sentidos da percepção e os órgãos da ação desenvolvendo harmonia no funcionamento do corpo, mantendo o sistema nervoso livre de bloqueios. Não podemos esquecer que o corpo é o único instrumento que possuímos e que pode ser usado tanto para a vida mundana como para a busca espiritual. Iniciemos do “conhecido”, do objeto visível que é o corpo antes de explorar o desconhecido de forma a movermos-nos do concreto para o sutil, ou seja, da matéria para o Espírito.
Asanas podem se
apresentar na forma de ângulos ou triângulos, retos ou oblíquos,
círculos ou arcos, arredondados ou ovais. É necessário perceber
todos estes pontos nos asanas pela observação e estudo para depois,
agir no campo do corpo e executá-lo na sua glória original. Isto
significa total envolvimento do corpo com os sentidos, mente,
inteligência consciente e alma. Não é correto manter a execução do asana conforme a mobilidade e flexibilidade do praticante. É necessário manter o treinamento para que o corpo seja moldado e ajustado para o asana. Não é ético fazer a pose apenas para a sua conveniência. Estudos e treinamento constantes são necessários para educar e moldar os membros do corpo para alcançar a habilidade para a forma certa de cada asana.
É necessário
conhecer a estrutura, o processo e a função de um asana e como isto
interage com o corpo, mente e alma. Em cada asana, é necessário
sentir o fluxo de inteligência e consciência que flui da periferia
do corpo para o centro e do centro, para a periferia. Asana não é
uma postura para ser feita com pressa ou mecanicamente. Primeiramente, precisamos configurar a estrutura do asana e compreender os pontos básicos ou fundamentais moldando a estrutura anatômica do corpo através de ajustes.Moldamos o corpo para que ele se ajuste a estrutura do asana. Resistência e movimento deverão mover-se em conformidade. O peso deverá estar distribuído equilibradamente nos músculos, ossos, juntas em conjunto com a mente e a inteligência.
Lapide a jóia do
corpo como um diamante criando espaço nos músculos e pele até que a
rede do corpo ajuste-se no asana. Isto ajudará aos sentidos da
percepção reconhecerem o trabalho dos órgãos da ação. Esta conjunção
entre órgãos da ação e sentidos da percepção permite a compreensão
subjetiva que dispara os reajustamentos intuitivos. Inicia-se assim
a ação, reação, reflexo e ajustes corretos. O asana desta forma
acontece através da consciência.
Quanto mais
mergulhamos na sutileza das ações e sentimentos, mais desenvolvemos
a sensibilidade na inteligência e consciência até que, corpo, mente
e consciência aproximam-se da alma. A força da vida move-se então da
pele para a alma e da alma, para a pele introduzindo uma nova luz de
entendimento na percepção desta alma. A alma (purusha - Atman)
evolui e a matéria (prakriti) involui e a partir desta relação,
fundem-se na unidade, no estado de harmonia, equilíbrio e
sensibilidade. O fazedor, o corpo e o asana tornam-se “Um” – três em
um.
O sadhaka usa o
corpo como um arco e o asana como uma flecha para atingir o alvo: o
espírito (Atman) |
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