Urdhva Dhanurasana
Eloisa Vargas - instrutora de hatha yoga

A biomecânica é a base da função músculo-esquelético. Os músculos produzem forças que agem através do sistema de alavancas ósseas. O sistema ósseo ou move-se ou age estaticamente contra uma resistência. Teoria não vai resolver nossa questão portanto, precisamos sentir dentro do próprio corpo este sistema de forças criado através da resistência dos pés e das mãos contra o chão produzindo potentes alavancas que elevarão nosso torso do chão num belo arco chamado Urdhva Dhanurasana. 

Somente através da percepção poderemos sentir estas forças agindo e isto não depende de força física e sim, de um estado especial da mente que se chama "quietude" ou meditação que pode ser definido como - silêncio interior. O estado em que conseguimos manter a mente para a ação correta no asana é Yoga.

O mais importante em Yoga não é "fazer a pose" e sim compreender como as forças atuam na sua execução. Isto é inteligência. O esforço não nos leva a nenhum lugar. A ação deve ser coordenada para que os músculos, ossos, tendões, nervos e ligamentos estejam trabalhando harmoniosamente e dentro dos limites das suas capacidades sob pena de lesionarmos a nós mesmos. O desejo, fruto do ego, nos dá a sensação de urgência em executar a postura no seu final fazendo com que queimemos etapas fundamentais no asana distanciando-nos dos verdadeiros objetivos do Yoga. Desta forma, transformamos o ato de entrar e sair da postura em mero esforço físico infrutífero, uma bravata, um número de circo ( e ruim ainda por cima). Precisamos estar atentos aos sinais sutis que nosso corpo emana  no sentido de fazer leituras  quanto a ação correta ou incorreta em asana. Fazer por fazer é melhor não fazer.

Iniciando a postura:
Você precisa de Prathyahará antes de iniciar um asana. Precisa de silêncio. Você não precisa de silêncio exterior para manter-se em silêncio. Isto é Prathyahará, a abstração dos sentidos externos. Você faz a sua paz e quietude internas apesar das circunstâncias externas. É impossível pedir silêncio ao mundo mas você pode pedir silêncio a você mesmo.

Pratique com calma, com boa vontade, com paciência e vai tocar a essência do asana que é criatividade na forma de expressão do corpo, é beleza em termos de arte é e espírito em termos de rendição.
 
  Fase 1:
sobre as costas
pressionando os pés e as mãos no chão
 
     
  Fase 2:
Sobre os ombros - setu bandha sarvangasana pressionando pés e ombros no chão para elevar o quadril
     
  Fase 3:
sobre a cabeça Pressionando pés, mãos e cabeça contra o chão para elevar a cabeça e os ombros
     
  Fase 4:
Elevando o corpo pressionando pés e mãos contra o chão
asanas apresentados por Luíza Oliveira - instrutora de hatha yoga    
 

Todas as fases de Urdhva Dhanurásana visam a elevação máxima do quadril. Neste sentido funcionam os perfeitos alinhamentos dos pés, joelhos e braços.
Se os pés desalinham, os joelhos torcem, você perderá força na alavancagem de solo, o quadril não se erguerá e caso se erga, estará fora de esquadro forçando as articulações.

 Quando o quadril não se ergue suficientemente, o corpo fica pesado. Você poderá erguer seu corpo através de excessivo esforço muscular a partir dos braços mas a postura ficará desconfortável, instável e tenderá a entrar em colapso.
O quadril necessita estar paralelo com o chão. Quando ele se torna paralelo com as suas costas, está havendo excessiva flexão na lombar (hiperlordose) e as vértebras estarão sendo pinçadas.

 

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