Fluxos - Surya Namaskar
Movendo-se fora dos padrões:

Saudação ao Sol / Surya Namaskara
matéria de Eloisa Vargas baseada em artigo da instrutora americana Donna Farhi


    
Stand Prassarita / Estrela                                Virabhadrasana II


Com a crescente popularidade das variações do hatha yoga em estilos que apresentam a prática de fluxos, a Saudação ao Sol (Surya Namaskara) tornou-se a prática central do Yoga ocidental. Embora os fluxos sejam compostos pelos vários movimentos clássicos e previsíveis da Saudação ao Sol tradicional, encontra-se uma enorme variação de uma tradição para outra.

Os fluxos no Hatha Yoga moderno executam o Surya Namaskara entre as diversas seqüências que utilizam as demais posturas como Guerreiros, Triangulos, Parsvas Konasana, Revoluções etc. As escolas  tradicionais não usam seqüências além do tradicional Surya Namaskar que se compõem de uma série de 12 asanas.

Algumas escolas substituem posturas e outras, não utilizam as poses intermediárias como os Lunges ( chaturangas com flexão do joelho) e em lugar disto, saltam de uma posição para outra. Os saltos são uma característica das escolas do Astanga Vinyasa Yoga de Pattabhi Joes.

As escolas clássicas derivadas principalmente de Sivananda utilizam o Lunge baixo com o joelho apoiado no chão  (ashua sanchalanasana) em substituição ao Lunge alto.Desta forma o fluxo de asanas torna-se mais suave e pode ser executado por pessoas que estão convalescendo de alguma doença ou passam por períodos de baixa resistência orgânica.

Geralmente as posturas são praticadas como uma série em seqüência e, dependendo do nível e constituição do aluno, a saudação ao sol poderá ser apresentada com longas paradas em cada pose ou utilizando ritmo e velocidade na transição das poses. A variação correta da seqüência dependerá da qualidade técnica do professor e da sua criatividade em formar o encadeamento.

Muitos alunos afirmam ser a prática repetitiva e sem criatividade mas devemos salientar que esta situação ocorre pela falta de variedade na montagem das seqüências oferecida pelo professor e não pela prática do fluxo em si que é ilimitada em diversificações. Os asanas são sempre os mesmos e assim, o que vai variar é o "arranjo" que se faz entre eles, o ritmo e a intensidade na execução do fluxo.

Mas, não importando em que estilo é praticado, o fluxo gera calor e aquece o tecido muscular tornando o corpo mais maleável. Aumenta e melhora a circulação sanguínea através do corpo tornando-se a prática ideal para aqueles com má circulação nas mãos e pés bem como para os que praticam Yoga em dias ou climas frios.

Quando praticada consistentemente e periodicamente, a saudação ao sol melhora de modo geral a força e a vitalidade do corpo. Com tantos benefícios, é fácil compreender porque a Saudação ao Sol tornou-se um modismo e terminou por ser ensinada em academias. Infelizmente muitos instrutores a ensinam sem formação na tradição do Yoga e desta forma, utilizam-se  apenas dos seus efeitos externos e físicos sem a abordagem fundamental do fluxo que vem a ser a meditação em movimento ou o movimento através do silêncio. 

Porém, há muitas razões para se ter cautela com os fluxos. A principal destas razões deve-se ao fato desta técnica exigir uma perfeita estruturação física e um correto alinhamento em função das altas cargas de solicitações à coluna vertebral  - principalmente para os iniciantes e para aqueles que apresentam problemas pré existentes na coluna.

A Saudação tradicional move o corpo no plano sagital ( da frente para trás) e isto tem a característica de ser potencialmente estressante para a coluna em função dos movimentos repetidos em erguer o corpo frontalmente. Toda a atividade que, continuamente, ergue e flexiona a coluna, tende a fatigar e sobrecarregar os músculos das costas enquanto coloca grande pressão nos discos intervertebrais.


Saudação em Tadasana

   
Adho Mukha Svanasana                                  Bujhangasana

Alguns estilos da prática popular de fluxos hoje em dia envolve muitas repetições da Saudação ao Sol sem o devido respaldo das flexões laterais ou das torções e o pior, as poses são introduzidas ao iniciante cujo corpo não está preparado para tal solicitação. Praticado desta forma, o fluxo da Saudação ao Sol poderá ser completamente inadequado e além de não dar as respostas esperadas acarretará em problemas nas costas dos praticantes. 

Dentro desta abordagem, o instrutor, antes de tudo, deverá ser conhecedor das técnicas de alinhamento,  deverá utilizar com mais freqüência os movimentos de flexões laterais desenvolvendo os fluxos em ambas as direções: frontais e laterais. As contra poses são importantes para neutralizar e corrigir o excesso de carga que os fluxos frontais acarretam e para tanto, o instrutor deverá ter conhecimento de como encaixar na seqüência básica frontal em pé, os movimentos laterais e os de torções como Trikonasana (Triângulos), Parsva Konasana, Virabhadrasana II  entre outros.

Portanto, um deslocamento espacial de um  fluxo longo apenas no eixo norte-sul, por exemplo, é inadequado além de monótono. Para que as variações sejam criativas e eficazes, é necessário que o praticante se mova nos eixos norte-sul e leste-oeste, deslocando-se frontalmente partindo de Tadasana e lateralmente partindo de Stand Prassarita (Estrela).

  
Utthita Trikonasana                               Parsva Konasana

As torções ocupam papel fundamental para resolver sobrecarga nos músculos das costas. Observem que até mesmo pessoas que nunca praticam Yoga torcem-se e suavemente dobram-se para o lado quando estão com dores nas costas.
Há vários movimentos de flexão lateral e rotação da coluna que liberam os músculos profundos das costas ( os músculos que estão colocados entre as vértebras e conhecidos como músculos intra-vertebrais) e dão alívio para os grandes músculos elevadores da coluna utilizados para alongar o tronco.

 
  
Torção Parivritta Parsva Konasana

O interessante nos movimentos laterais é que a coluna não pode dobrar para o lado ( flexão lateral) sem uma suave rotação. Reciprocamente, as juntas das articulações das vértebras são colocadas em ângulos que requerem rotação para serem acompanhadas por algum grau de flexão lateral. Uma coisa é impossível sem a outra.
Quando flexionamos lateralmente, abrimos e liberamos todos os músculos inter costais (inter-costelares - músculos entre as costelas), os quais permitem às costelas moverem-se mais livremente, como quando respiramos.Estes movimentos de flexão lateral também liberam os músculos oblíquos abdominais, o psoas maior e o importantíssimo quadrado lombar (quadratus lumborum).

Estes últimos músculos elevam-se do topo pélvico interno sobre o rim (crista ilíaca) estendendo-se para a 12a. costela fixando-se na 3a. vértebra lombar auxiliando na flexão lateral da parte de baixo do tronco. O quatratus lumborum é curto, grosso e consideravelmente forte. Quando um lado é mais contraído do que o outro, sérios desequilíbrios podem ocorrer na áreas da lombar, pélvica e nas juntas sacro ilíacas.

A medida que exploramos os movimentos laterais, descobrimos que estes movimentos nos são familiares. Isto ocorre porque eles estão profundamente conectados com nossos primeiros movimentos desenvolvidos no berço quando éramos bebês. A flexão lateral é um  movimento importante porque estabelece mobilidade através do tronco e conexões neurológicas que contribuem para o equilíbrio e permitem um fluxo seqüencial de movimento através da coluna e das vísceras.

Muitas escolas de hatha Yoga incorporam outros movimentos na tradicional e sagital Saudação ao Sol tais como as chamadas "standing poses" ou posturas em pé contidas dentro ou entre cada ciclo quebrando o movimento puramente sagital através de manobras ou movimentos laterais o que vai prevenir o aumento de tensão nas costas.

Escolas tradicionais da Saudação ao Sol podem até apresentar algumas torções e flexões laterais após os fluxos de forma a liberar os músculos das costas para um retorno a um estado mais natural mas eu acredito que o melhor seria intercalar estas flexões e torções durante o fluxo desenvolvendo-se assim,  um sistema de contra poses onde uma postura serve de alívio para o grupo muscular utilizado ao mesmo tempo que os prepara para a próxima pose.

Quebrando o padrão normal sagital do Namaskara, teremos um fluxo diferente para cada apresentação em uma seqüência variada e criativa.

 

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