O Tempo na Visão Hindu
Eloisa Vargas

Não existe história mais linda que a história narrada sob a perspectiva hindu. Tudo na Índia é místico, é forte e espiritual. Enquanto aprendemos e sentimos o tempo como uma linha reta, o oriental o percebe como um ciclo, sempre em movimento e sempre se repetindo.
Ham so, so ham - "aquilo que fui, serei novamente", por certo é o mantra que mais exatamente expressa esta consciência do "sempre" ou do "para sempre". Mas esta afirmação não implica em uma repetição sistemática do tempo, ao contrário, esta repetição é dinâmica e as voltas que damos neste círculo, o são em uma espécie de espiral ascendente cujos ciclos sobrepõem-se  uns sobre os outros porém em pontos diferentes. A metáfora desta espiral torna-se difícil de compreender a partir do momento que você não a pode imaginar como simplesmente ascendente ou descendente e sim, como possuindo ambas as direções.

Você pode se imaginar neste contexto como uma alma que peregrina por diversas vidas através do tempo, adquirindo experiência e contatando com as mais diversas formas de realidades.

Ao abordarmos o conceito de eternidade, num primeiro enfoque, poderemos ficar seduzidos por tal expectativa de "durabilidade". Este é conceito realmente tentador para a mentalidade ocidental: eternos, aqui para sempre, indo e voltando... Mas na visão do oriental, isto é apenas o sinal de que a alma ainda não cumpriu seus desígnios cármicos e jaz aqui, acorrentada no que chamam de Samsara ou Roda de Nascimentos e toda a sua vida é dirigida para o ato da liberação.

A idéia central que rege e suporta toda a filosofia oriental é a da "queda". Na metáfora dos anjos caídos, contam os mitos que um dia, sobre esta Terra hoje tão violentada, habitaram seres perfeitos e que devido a esta perfeição, foram chamados "Deuses". Era a idade de Ouro. Estes seres, vindos de locais celestes muito evoluídos, deveriam estar na Terra para iniciar uma nova evolução ou talvez, uma espécie de "colonização".

Mas uma outra raça ainda não aperfeiçoada surgira na Terra como resultado dos fenômenos da vida. Tal raça ainda não estava preparada para a inteligência pois era ainda, o que consideraríamos, na escala evolutiva, algo como um animal. Como nem mesmo os Deuses foram perfeitos, houveram cruzamentos entre estes seres e a linhagem "celeste" sofreu degeneração.Os Deuses tornaram-se mortais e não puderam jamais partir da Terra e desta forma, a geração dos seus filhos perpetuou a espécie.

Estas narrativas encontram-se em vários textos antigos e entre estes, destaca-se o famoso "Livro de Enoc" que deu origem ao best seller Eram os Deuses Astronautas e a muitos outros romances partindo desta mesma colocação.

As especulações em torno dos mitos são infinitas e fantásticas e de certa forma, preenchem o vazio causado pela eterna pergunta: quem somos? de onde viemos? para onde vamos?

Sobre este tema, Simone Boger desenvolve o assunto do seu livro " O Ciclo do Tempo". A leitura deste livro estabeleceu para mim uma ponte entre tudo o que estudei sobre o ocultismo e as ciências esotéricas e a minha dedicação atual, o Yoga. Serviu como um despertador e unificador de idéias que jaziam espalhadas por todos estes anos constituindo um referencial forte em termos de constatações sobre mim mesma e sobre as coisas que realmente são importantes para mim ou, dito de outra forma, as coisas que realmente conseguem me tocar. Como num feedback tardio, a leitura deste livro fez em mim uma estranha conexão despertando pontos adormecidos ou talvez sublimados por uma abordagem essencialmente ocidental que eu vinha adotando em certos aspectos da minha vida.

Simone Boger é minha aluna de hatha yoga ( o estilo que pratico) , é professora de Raja Yoga ( estilo que enfoca basicamente a meditação), escreve para a BBC de Londres e viaja freqüentemente  à  Índia, onde reside durante as temporadas de trabalho. Como podem ver, é uma polivalente assim como as várias pessoas com quem  tenho a honra de conviver. Autora do "Ciclo do Tempo", livro que recomendo a vocês.

 
 

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